A homenagem aos Antepassados de cada um passa por múltiplas acções que não se devem esgotar em deslocações a sítios específicos, em datas próprias e com rituais determinados.

Para além da interacção com os demais no dia-a-dia, reflexo do que dos nossos Pais bebemos enquanto primeiras referências, podemos ainda perpetuar a sua memória esperando, assim, que outras formas de pensar nos façam reconhecer potencialidades que não tenhamos, ainda, tido a capacidade de percepcionar.

 

Apesar da saudade que decorre da ausência da Mãe, ocorrida de forma fulminante, a nossa postura tem sido a de partilhar a riqueza interior de um Ser Humano com uma personalidade ímpar.

Ser Poeta (III)

 

É ver um mundo novo

Um mundo novo em cada verso

É ser o não ser da existência.

 

É o tempo que veio do tempo sem tempo

É a vida vivida de cada ser

É a alegria da vida a ser vivida

É o sonho de tudo o que foi sonhado.

 

É o versejar não da minha história

Mas sim dos meus sentimentos.

Mãe

 

Mais pura que tu não há ninguém

Nem mais bela, nem linda, nem triste

Melhor que tu não existe

Pois és tudo para mim, ó minha Mãe.

 

O teu sorriso triste que é amargura

Revela o que sempre sentiste

O desengano que em ti existe

E continua, para tua desgraça.

 

Melhores tempos terás, creio, ó Mãe

No além, em que o sofrimento

Não existe nunca, em nenhum momento

 

E verás, que só para teu bem

Deus te apagará, do pensamento

As causas do teu longo sofrimento.

Sem um adeus

 

Nem sequer quando partiste

Pude ver os olhos teus

Diz meu coração, tão triste

- Partiste, sem um adeus

 

Porque será tão cruel

A vida para mim, meu Deus

Porque lhe permitiste

Que fosse, sem um adeus?!

 

O destino assim quis

Que chorassem olhos meus

E grito com desespero

- Partiste, sem um adeus.

“(…) de personalidade forte e sensível, exterioriza todo o seu sentir também em poemas(…)”

Maria Felícia Cruz e Olga Delfim Caíres, 1985